CINCO FERRAMENTAS BÁSICAS DE DISCIPLINA POSITIVA PARA A SALA DE AULA

positive discipline

Texto por Bete P. Rodrigues, Consultora de pais e educadores da Kindy Escola Americana

Este artigo apresenta apenas 5 ferramentas da Disciplina Positiva para auxiliar o educador no seu complexo papel no gerenciamento de sala de aula respeitoso. Essas ferramentas podem ser utilizadas nos mais diversos contextos de trabalho (diferentes tipos de escola, segmentos ou áreas do conhecimento). Tal como acontece com qualquer caixa de ferramentas, nenhuma ferramenta funciona em todos os contextos, por isso a importância de se ter uma variedade para escolher. Eu considero essas as mais básicas dentre as dezenas de opções existentes:

1.CONEXÃO
Esse é um critério tão importante para a Disciplina Positiva que é um dos 5 critérios básicos! A percepção das crianças de que seus professores se importam com elas é crucial para desenvolverem um senso de pertencimento e importância, um senso de conexão. Estamos falando de olho no olho, de aprender e usar os nomes de cada aluno, de sorrir e recebê-los na porta, entre tantas outras formas de demonstrar que você se importa!

2.ENSINAR HABILIDADES DE VIDA
Além do conteúdo acadêmico, o educador que utiliza a abordagem da Disciplina Positiva ensina todas as habilidades de vida que pode na sala de aula: cooperação, habilidade de resolução de problemas, respeito mútuo, responsabilidade, habilidades de comunicação respeitosas… Existem inúmeras estratégias e dicas específicas no livro Disciplina Positiva em sala de aula (Nelsen, Lott and Glenn- Ed. Manole), mas resumidamente estamos falando de aproveitar cada comportamento desafiador na sala de aula como oportunidade para modelar e ensinar as habilidades sócioemocionais que você puder. Na dúvida, seja empático e use de gentileza e firmeza ao mesmo tempo.

3.OFERECER ESCOLHAS LIMITADAS
Para desenvolver a habilidade de resolução de problemas, por exemplo, podemos oferecer escolhas limitadas aos nossos alunos. Muitos problemas difíceis parecem mais fáceis de resolver quando as escolhas são apresentadas como soluções. Como professor, você pode oferecer duas opções, aceitáveis e adequadas. Você não vai dar a opção do seu aluno fazer ou não a tarefa (não é aceitával ou adequado não fazer a tarefa), mas você pode dar a opção dele fazer sozinho ou com a ajuda de um colega. Você professor escolhe as estratégias, mas pode perguntar a turma se eles preferem fazer tal atividade antes ou depois do recreio, por exemplo. Como eles se sentirão podendo escolher? Conectados, importantes e pertencentes.

4.FAZER COMBINADOS DA SALA DE AULA COLABORATIVAMENTE
Em um modelo tradicional, os professores definem as regras da sala de aula e aos alunos cabe a função de seguir essas regras. Quando elas não são seguidas, há algum tipo de punição: bilhete para casa, perder o recreio, advertência etc. Em modelos permissivos de educação, acredita-se que não há necessidade de regras (“elas podem limitar a criatividade e liberdade das crianças”). Na abordagem da Disciplina Positiva, acredita-se que os combinados ou regras de uma sala de aula devem ser definidos em conjunto: alunos e professor elencando e decidindo que opções são respeitosas e adequadas para todos. Os alunos tendem a seguir com muito mais vontade as regras que foram acordadas pelo grupo. E, sendo realmente respeitosas, funcionam como diretrizes para a harmonia na sala de aula.

5.FALAR MENOS E PERGUNTAR MAIS
Nós professores falamos demais. E depois reclamamos que os alunos ouvem de menos. A Disciplina Positiva nos ajuda a refletir sobre o que realmente ensinamos aos nossos alunos com tanto “blá, blá, blá” ineficaz. Em vez de falarmos o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu, como devemos nos sentir pelo que aconteceu e como resolver os problemas, aprendemos a usar as perguntas curiosas. Quando você diz em vez de perguntar, você desencoraja os alunos a desenvolver suas habilidades de julgamento: pensar nas consequências e responsabilidade de cada escolha. Perguntar promove reflexão e convida colaboração. Falar ou mandar é desrespeitoso e provoca resistência. Dizer em vez de perguntar também ensina os alunos o que pensar, em vez de como pensar, o que pode ser muito perigoso, afinal eles só serão adultos críticos e colaborativos depois de aprenderem a pensar, resolver problemas e tomar decisões.

Bete P. Rodrigues é mãe há 20 anos e professora há mais de 30 anos. Formada em Letras (PUC- SP), tem mestrado em Linguística Aplicada (LAEL- PUC/ SP), e atualmente é palestrante, coach para pais, consultora em educação e professora do curso “Formação de Professores de Inglês para crianças e adolescentes” na COGEAE- PUC/SP. Tem larga experiência como professora, coordenadora e diretora pedagógica em diferentes contextos (escolas de línguas, escolas particulares e públicas, ONGs). É Trainer em Disciplina Positiva certificada pela Positive Discipline Association, administradora da página Disciplina Positiva Brasil no Facebook e co-tradutora dos livros Disciplina Positiva e Disciplina Positiva em sala de aula pela Ed. Manole.

POR QUE OS CONFLITOS SÃO TÃO IMPORTANTES NO ENSINO FUNDAMENTAL?

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Texto por Carla Freitas, Coordenadora pedagógica do ensino fundamental na My School Educação Bilíngue

O ingresso no Ensino Fundamental é marcado por muitas mudanças na vida de uma criança. Até os cinco anos, ela passou por fases importantíssimas, aprendeu a andar, falar, brincar, imaginar, etc. A partir daí a nova jornada também será cheia de descobertas e aprendizado, e não quer dizer que será fácil!

Normalmente, a criança de seis anos já tem autonomia para fazer uma lista enorme de coisas sem ajuda de um adulto e precisa ser incentivada. Alguns exemplos disso são: se vestir, calçar e amarrar os sapatos, se alimentar, ir ao banheiro e cuidar da própria higiene de maneira razoável.

Quando confiamos à criança tarefas que ela tem condição e maturidade para fazer, ela se sente motivada e capaz. Além disso, ela se vê cada vez mais responsável por si e pelas suas ações, o que a leva a se interessar pelo mundo e buscar novos desafios.

Nessa nova fase da vida da criança, seu pensamento é mais elaborado. Ela passa a questionar mais o que acontece ao seu redor e a refletir sobre como se relaciona com os outros. Sua motivação para aprender, se engajar em novos projetos e enfrentar situações está diretamente ligada ao modo como se sente: se a criança não consegue resolver algo que a incomoda ou entristece, ela terá seu desempenho comprometido em toda e qualquer atividade, brincadeira ou interação social.

É por isso que os conflitos são tão importantes no processo de ensino-aprendizagem!

É através de desafios e conflitos que a criança tem a chance de sair de um estado de comodidade ou aceitação e entrar em um estado de incômodo ou incerteza. Só então ela fará algo para mudar o cenário atual, o que envolve desenvolver inúmeras habilidades como, por exemplo, criar ferramentas para lidar com variadas situações.

Outras habilidades como ouvir, dialogar, refletir sobre seus atos, responsabilizar-se por suas ações e tomar decisões individuais e em grupo também são imprescindíveis nesse processo, sem esquecer a busca pelo equilíbrio e o respeito em relação às diferenças e às necessidades dos outros.

Ao se envolver em um conflito, por exemplo, a criança tem a chance de pensar e testar soluções que respeitem os envolvidos e, assim, não só aumentar seu repertório de ações, mas também protagonizar as resoluções.

Telma Vinha diz que os conflitos fazem parte da realidade social e servem como gancho para a formação de seres humanos mais preparados para a vida. Diz que a discordância é necessária. É o que nos move. Precisamos ir às causas dos conflitos, e a solução tem de representar princípios de justiça. Os conflitos são naturais na relação educativa e pertencem aos envolvidos. O adulto deve agir como um mediador incentivando as crianças a falarem sobre seus sentimentos e atos.

Os conflitos são oportunidades para trabalharmos valores e regras, explicando que eles são entendidos como momentos presentes no cotidiano, os quais nos possibilitam perceber o que os alunos precisam aprender (Vinha, 2007).

Atitudes como empatia, compreensão, saber escutar, incluir o colega nas brincadeiras, ajudar e pedir ajuda também colaboram para criar um ambiente positivo e saudável.

É pela cooperação, e não pela coerção, que um indivíduo liberta-se de seu egocentrismo e tem a oportunidade de desenvolver a capacidade de compreender o outro como seu igual (Piaget,1998).

Os alunos devem aprender a raciocinar sobre problemáticas que surgem das relações interpessoais a fim de que se tornem sujeitos capazes de lidar com as emoções associadas a ela: se um indivíduo deixa-se levar pelas emoções e pelos impulsos sem nenhuma reflexão prévia, será conduzido a respostas primitivas como agredir, inibir-se para agir ou esconder-se no ressentimento (MORENO; SASTRE, 2002).

A criança que cria hipóteses e busca possíveis respostas para qualquer tipo de situação ou problema aprende a pensar, aprende a solucionar, aprende a se preparar para a vida.

REFERÊNCIAS E TEXTOS RELACIONADOS

BIAGGIO, A. M. Lawrence Kohlberg: ética da educação moral. São Paulo: Moderna, 2006.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais (PCN): introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. 126p.

CARITA, A. Conflito, justiça e cidadania. Aná. Psicológica [online], v.22, n.1, p.259-267, 2004.

LEME, M. I. Resolução de conflitos interpessoais: interações entre cognição e afetividade na cultura. Psicol Reflex Crit, v.17, n.3, p.367-380, 2004.

MORENO, M.; SASTRE, G. A aprendizagem emocional e a resolução de conflitos. In: Resolução de conflitos e aprendizagem: gênero e transversalidade. São Paulo: Moderna, 2002.

PIAGET, J. (1932). O juízo moral na criança. São Paulo: Summus, 1994.

VIDIGAL, S. M.; VICENTIN, V. F. O processo de resolução de conflitos entre crianças e adolescentes. In: TOGNETTA, L. R.; VINHA, T. P. É possível superar a violência na escola?: caminhos possíveis pela formação moral. São Paulo: Editora do Brasil, 2012.

A Ludicidade no Processo de Alfabetização e Letramento

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A alfabetização é um aprendizado de suma importância para o ser humano, pois consiste na instrução e no apoderamento do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. A prática deste ensino se dá regularmente na educação infantil. Já se tratando de um cenário bilíngue, a alfabetização e o letramento ocorrem em dois idiomas e de forma simultânea.
É imprescindível que o professor saiba relacionar e trabalhar a alfabetização e o letramento de forma única, dando o devido significado das letras e palavras para os alunos, já que muitas falhas no processo de alfabetização e letramento ocorrem pela não associação entre esses dois processos.

O ser humano está incluso em um meio letrado. As letras aparecem em jornais, revistas, livros, placas, etc. O professor não pode ficar alheio a isso e apenas ensinar as letras e palavras soltas, elas devem ter significado para o aluno.

Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita ocorre simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização – e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento (SOARES, 2004, p.14)

A alfabetização é o processo de aprender e conhecer as letras e palavras. Já o letramento refere-se a apropriação do significado dessas palavras e na inserção do aluno na sociedade letrada em que vive.

Não são processos independentes, mas interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização desenvolve-se no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só se pode desenvolver no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema–grafema, isto é, em dependência da alfabetização (SOARES, 2004, p. 14).

Isso implica em dizer que a alfabetização e o letramento caminham juntos e, portanto devem ser trabalhados em conjunto.

O educador que visa o sucesso deste processo conjunto não pode deixar de utilizar variados recursos para atingir os seus objetivos de forma plena e isto inclui o uso de ferramentas e estratégias de aprendizado lúdico.

A ludicidade pode ser utilizada como forma de sondar, introduzir ou reforçar o aprendizado, levando o aluno a sentir a satisfação em aprender as letras. O lúdico é uma ponte para auxiliar na melhoria dos resultados que os professores querem alcançar, compreendendo o universo da criança e utilizando o que lhe permeia para atingir uma aprendizagem mais eficaz e significativa.

Segundo Bampi (2014) as brincadeiras são uma forma da criança desenvolver a criatividade através do faz-de-conta e trabalhar o que tem de mais sério, de mais necessário, de mais vital: o crescimento e o desenvolvimento da e para a vida.

Aprender brincando causa bem-estar e alegria. É ato de criação de memória positiva e estimulos construtivos e edificantes para o ser humano. É criar um relacionamento cordial e estreito com a leitura e a escrita. Atividades como varal das letras, dados silábicos, soletrando, amarelinha e jogo da memória fonético são apenas algumas das opções que o educador por utilizar em sala de aula.

O ato de brincar estimula a criança a pensar e isso faz com ela se envolva com o seu processo de aprendizagem. É por meio dessa ação que ela desenvolve seu raciocínio lógico, suas habilidades, seus pensamentos e criatividade. Além disso, também usa o brincar para se comunicar, se entender e se desenvolver.

O lúdico pode ajudar muito na hora da alfabetização e do letramento no momento em que o professor conseguir integrar a brincadeira ao aprendizado.

Texto por: Flavia Maria da Silva Arcanjo Coordenadora de Línguas da Kindy Escola Americana

REFERÊNCIAS

_________. Pró-Letramento : Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/Séries Iniciais do Ensino Fundamental : alfabetização e linguagem . – ed. rev. e ampl. incluindo SAEB/Prova Brasil matriz de referência/ Secretaria de Educação Básica – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2008. 364 p. Disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=6002-fasciculo-port&category_slug=julho-2010-pdf&Itemid=30192
Data de acesso em 17/03/17 às 17h00.

BAMPI, Amélia. O Direito de Brincar, Fundação Abrinq, 26 de maio de 2014. Disponível em https://fundacaoabrinq.wordpress.com/2014/05/26/o-direito-de-brincar/. Data de acesso em 17/03/17 às 14h05.

SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas, Universidade Federal de Minas Gerais, Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n25/n25a01.pdf. Data de acesso em 17/03/17 às 16h00.

Uso da tecnologia em sala de aula: um desafio promissor.

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É certo que os alunos do século XXI não são os mesmos do século passado. E há tempos que se discute a ideia de como desenvolver nos alunos o interesse pela aprendizagem na era em que têm acesso a todo tipo de informação, a qualquer momento e em qualquer lugar.

Não há como negar que o uso do iPad em sala de aula, assim como outros recursos tecnológicos, pode ser uma ferramenta a favor da escola atual. Essa nova geração passou por mudanças. Os nativos digitais, aqueles com menos de 20 anos, demonstram necessidade simultânea e uma noção acelerada de processos e aprendizado. Em sua maioria têm um modo de vida simples, democrático, digital, altamente participativo e em rede, dinâmico e com enorme produção coletiva.

Por essas razões, além do conteúdo estar conectado com o dia a dia do aluno, faz-se necessário ao professor incorporar e assimilar o que essa geração já faz, ou seja, entender e se interessar pelas experiências que o aluno traz para sala de aula.

Jovens professores têm experimentado o uso da tecnologia em sala de aula e afirmam que tem sido uma ferramenta intermediadora, abrindo novas portas para refletirem sobre novas metodologias: “Pensar em um mundo no qual os estudantes têm mais acesso ao meio digital, permiti-nos pensar a tecnologia como uma intermediadora tanto em assuntos específicos (por exemplo: na disciplina de História, o acesso às fontes históricas) assim como na elaboração e realização de projetos interdisciplinares.’’ Garante a professora Karoline Kika Uemura, especialista em História.

Apesar de não ser uma tarefa fácil ou rápida e exigir do professor tempo, dedicação, vontade e paciência, essas novas ferramentas podem garantir ao docente e ao aluno um espaço maior para discussão e aprofundamento dos conteúdos. A experiência do professor Marlon Bianchini, especialista em Geografia, com relação ao modelo de “aula invertida”, pode servir de inspiração a outros docentes: “O caso das aulas invertidas é emblemático. Produzi de modo caseiro e amador dezenas de vídeo-aulas de unidades inteiras da matéria de todas as minhas turmas e disponibilizo a meus alunos conforme vamos avançando o ano letivo. Via de regra, eles adoram, interagem, assistem as aulas quando querem e quantas vezes quiserem, inclusive se faltaram ou viajaram ou ainda antes das provas como estudo. Além disso, sobrou mais tempo em sala para tantas outras possibilidades que antes ficavam em hibernação. Entretanto, devo enfatizar que não foi nada simples tudo isso acontecer, nem mesmo meu próprio entendimento sobre o que estava acontecendo; tive que arriscar literalmente, ver no que daria e fazer ajustes, mas, ainda bem, o resultado foi e ainda é muito proveitoso.”

Casos como esses podem servir de inspiração para mudanças de paradigmas na educação. Sabemos que a presença da tecnologia na vida escolar é desafiadora, mas ao mesmo tempo surpreendente. Se a ideia é formar alunos para a vida, que é repleta dessas tecnologias, por que não questionar e buscar formas adequadas de adaptá-las e inseri-las ao cotidiano escolar? Acredito que vale a reflexão!

Professora Bruna Elias, Coordenadora pedagógica Colégio Brasil Canadá.

Bilinguismo por Renata Salvador Domingues Leal, Professora

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Nos últimos 30 anos pesquisas têm mostrado que o aprendizado de línguas tem um impacto positivo na formação cerebral. Muitos estudiosos defendem que o esforço mental que pessoas bilíngues fazem para usar diferentes línguas é responsável pelo fortalecimento das funções cognitivas e que pode até mesmo proteger o cérebro em idade mais avançada. Há um consenso de que o bilinguismo proporciona um melhor desenvolvimento das funções cognitivas e também das funções culturais e sociais.

Segundo Pasi Sahlberg, um dos protagonistas da política educativa que fez das escolas da Finlândia um exemplo internacional, “Quem aprende línguas estrangeiras, terá um cérebro preparado para aprender qualquer outra coisa”. Ele acredita que o sucesso de seu país está ligado à importância do aprendizado de outras línguas, já que essa é uma ferramenta de equidade, de oportunidade de acesso.

Baseada na minha experiência como educadora bilíngue por quase 20 anos, mãe de uma criança bilíngue e agora voluntária de uma ONG que vê no ensino de um idioma estrangeiro a possibilidade de equidade e empoderamento, a educação bilíngue pode ser considerada como vantagem para as crianças que aprendem uma segunda língua.

Vivo essa realidade diariamente e vejo o desenvolvimento e a aquisição da linguagem acontecerem de forma natural e contextualizada. Quando uma criança ingressa na escola bilíngue com dois anos, por exemplo, ela desenvolverá as duas línguas simultaneamente e usará o segundo idioma de forma espontânea. Conforme ela cresce, a necessidade do uso da língua deve se fazer presente, e o professor deve estimular e promover o discurso para que o aprendizado seja efetivo. Ao longo de sua vida escolar num ambiente bilíngue, ela será capaz de se expressar tanto oralmente como através da escrita usando a segunda língua. Portanto, o bilinguismo é uma ferramenta importante no desenvolvimento infantil, auxiliando a formação de forma global e trazendo mais benefícios aos aprendizes de uma língua estrangeira.

Fontes:
www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3322418/
www.theatlantic.com/science/archive/2016/02/the-battle-over-bilingualism/462114/
www.wired.com/2016/02/being-bilingual-changes-the-architecture-of-your-brain/
www.theatlantic.com/education/archive/2016/08/the-new-bilingualism/494489/

Texto escrito pela professora Renata Salvador Domingues Leal; bacharel em Turismo, Pedagoga formada há 07 anos e pós-graduada em Psicopedagogia. Trabalha com ensino bilíngue desde 1998 com atuação em renomadas escolas bilíngues e está desde 2006 na Builders. Participou de workshops e congressos internacionais de formação e treinamento. Realizou curso de extensão na St. Giles University, Inglaterra, em 2013.

Qual o olhar que tenho sobre o meu filho?

de olho

Adolescência… Pré-adolescência… pré da pré-adolescência…o que permeia esta fase de tantas questões, dúvidas, novidades que tanto angustia os pais? A quem a chame de “aborrecência”! A justificativa para tal classificação é sempre a mesma… “São aborrecentes, chatos, querem ser independentes, mas mal conseguem cuidar do seu material escolar!”. Pois é muito se ouve, muito se fala, mas pouco se sabe. Ou se que saber.

Adolescência é uma fase transicional entre a infância e a vida adulta que implica transformações perceptivas na vida de cada um. É nesta fase que o indivíduo se percebe como uma pessoa, que se distancia da zona de conforto, se afasta dos privilégios típicos da infância e se aproxima de responsabilidades características da vida adulta. Assumir papéis sociais, prover algo, ser alguém, ter uma boa carreira, uma boa índole… Ufa! As cobranças são muitas, mas para que eu cobre é necessário que eu oriente e este é o intuito deste texto.

Lemos diariamente em jornais assuntos ligados a esta delicada fase: Bullying, desafios, baleia azul, brincadeiras de mau gosto, amadurecimento sexual, interesse pelo proibido…É preciso que estejamos preparados para lidar, orientar e acima de tudo ouvir. É importante que estejamos conectados com este mundo, com esses assuntos. Que leiamos sobre tudo que envolve este universo.

Como educadores, nosso papel de direcionar a aprendizagem contando com o fator emocional não é uma tarefa fácil. Contudo torna-se muito prazeroso quando conseguimos ouvir e perceber nosso aluno como ser único. Estarmos antenados faz parte da nossa rotina. Afinal quantos youtubers passamos a conhecer? Quantas vezes, sozinhos em casa, cantamos “Sorry” do Justin Bieber, quantas selfies tiramos e quantas vezes tivemos que pedir para que guardem seus celulares em horários inadequados?rsrs, pois é faz parte! E como pais, como identificar esta linha tênue entre o excesso de liberdade e a negligência? Como dissemos anteriormente é delicado, mas necessário.

O assunto latente hoje em dia são desafios lançados em redes sociais que incitam o jovem a se testarem, provando aos demais que são corajosos e destemidos. É importante que tenhamos um olhar atento e delicado para nossos filhos. Acompanhemos dia a dia o que fazem, por onde andam com quem falam em redes sociais… Não senhores pais, isto não é invasão de privacidade! Nós somos responsáveis pela saúde física e mental de nossos filhos. Nosso papel vai além do cuidado… Acompanhar este processo também é um ato de amor! Nesta fase preparamos nossos filhos para que consigam discernir o certo do errado, o confiável do duvidoso… Se deixarmos isso a cargo de si próprio, o resultado pode ser desastroso. Os adolescentes estão construindo sua identidade, e cobrar deles tomadas de decisões que cabem a nós adultos é no mínimo leviano de nossa parte.

Não estamos defendendo o tratamento de adolescentes como bebês, mas incentivando que se deixe aberta a porta da comunicação, sempre! O importante é que eles tenham segurança para ir quando quiserem ir, que saibam dizer não quando não tiverem vontade, que tenham abertura para perguntar quando não souberem, e quando não soubermos que tenhamos a liberdade de procurar saber… Não sabemos tudo, mas já vivemos muito, pelo menos mais que eles… Não falar da realidade, camuflar situações de perigo, não responder a perguntas pertinentes que eles mesmos fazem não ajuda: Adia! Adia o que é inevitável, o conhecimento. Se não através de nós, eles buscam sozinhos na internet, e a interpretação pode ser quase sempre deturpada. Nem sempre o adolescente tem maturidade suficiente para lidar com as informações obtidas, o que promove “achismos infundados”.

Cada pai sabe o que deseja para seu filho, é importante que estejamos atentos aos sinais. Observe seu filho, converse com seu filho, estabeleça uma relação de cumplicidade para que isto fortaleça a segurança de que o mundo é grande, é enorme, os desafios são infinitos, e nada é fácil nesta vida. Mas como dissemos: deixá-los seguros de que estaremos sempre no mesmo lugar, para que se um dia tiverem vontade poderão pedir ajuda… SEMPRE!!!

Texto: Renata Louzada – Coordenadora Pedagógica Amazing School

Vantagens do Bilinguismo

bilingual brain

Por Ana Paula A. Mustafá Mariutti

Sempre me interessei por línguas e desde adolescente dediquei meu tempo para estudá-las, via escolas de idiomas e mais recentemente por apps, sites e contatos com estrangeiros. Fico fascinada em poder entender o que os outros falam e não gosto quando não consigo interagir com falantes de outros idiomas que não o inglês e espanhol, que eu domino bem.

Assim, quando meus filhos nasceram, decidi que eles tinham que ser bilíngues, que não era uma opção. Após ter trabalhado em escolas bilíngues e internacionais por muitos anos, já sabia que não queria deixar isso prá depois:  eu via na prática, com os meus alunos, que é muito mais fácil para crianças aprenderem um idioma do que um adolescente ou adulto, pois com o passar dos anos esse processo fica bem mais sofrido…

Enfim, me comunicava com meus filhos em inglês e os matriculei na Builders com 1 ano de idade. Eles rapidamente adquiriram a língua e quando saíram de lá (naquela época não oferecíamos o Ensino Fundamental) foram para outra escola bilíngue, onde continuaram aprimorando o inglês e até tiveram contato com o alemão.

No 7º ano do EF eles foram para uma escola brasileira regular que oferecia aulas de inglês 2 vezes por semana, onde eles quase davam aula para o professor, de tão sabidos que já eram no idioma. Mas eu sabia que tinha espaço para o aprendizado da gramática, de forma sistematizada, afinal eles possuíam fluência total e um amplo vocabulário, mas as estruturas, os nomes dos tempos verbais, isso só se aprende em curso de idiomas mesmo (ainda questiono a necessidade disso, mas enfim…).

No 8º ano nos mudamos para os EUA para um período sabático e preciso dizer que eu e meu marido “babamos” ao ver nossos meninos super fluentes, desde o primeiro dia de aulas bem integrados na escola, absorvendo 100% do conteúdo em inglês e participando de tudo como os demais “gringos”da sala. Em poucos meses, soavam como nativos, tamanha a facilidade e desenvoltura que já possuíam com a língua.

Depois que eu e meu marido voltamos para o Brasil, eles continuaram morando lá, em uma “boarding school”. Depois de quase 3 anos fora do Brasil, soam como falantes nativos em inglês e agora o foco é o espanhol, que os dois escolheram como aula optativa. De lá o rumo é um “college” americano.

Enfim, acredito que independente de qual vai ser a escolha para seus filhos, se vão frequentar escola bilíngue só na Educação Infantil, se vão continuar essa modalidade no Ensino Fundamental 1, 2, no Ensino Médio, se vão estudar em escola internacional no Brasil, se vão morar fora do país… isso não importa. O que importa é lembrar que vale muito a pena dar a eles a oportunidade de aprender uma segunda, terceira, quarta línguas. Que a vivência nesses ambientes  multiculturais só acrescenta, deixando-os muito preparados para o futuro.

Ah, e que ninguém garante nada, mas que falar inglês já é mais do que meio caminho andado, isso ninguém pode negar.

 

Ana Paula A. Mustafá Mariutti atua na educação bilíngue desde 1986. Possui formação em Tradução/Interpretação pela Alumni, curso superior de Pedagogia, e diversos cursos relacionados à educação bilíngue e à gestão escolar no Brasil e no exterior. Participou ativamente na fundação da Oebi – Organização das Escolas Bilíngues, a qual presidiu durante 12 anos. Atuou na gestão da instituição à distância de julho 2014 a junho 2016, quando residiu nos EUA. Nesse período, aprofundou seus conhecimentos sobre a educação bilíngue oferecida em escolas públicas e particulares de educação infantil e ensino fundamental bilíngues americanas.

B – A – BA…by , bebês bilíngues? Conheça alguns efeitos do bilinguismo na primeira infância.

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Texto por: Marina Freitas, Diretora pedagógica e Mantenedora da My School Educação Bilíngue.

É notável que no estilo de vida atual se faz necessário falar mais do que uma língua. Muitos adultos sofrem com a realidade de não terem tido a oportunidade de aprender um segundo idioma e na vida profissional muitas vezes são exigidos a usar outros idiomas para conseguirem progredir em suas carreiras.

No Brasil, país que adota apenas uma língua como oficial, as famílias se deparam com a necessidade de cuidar dessa introdução de um segundo idioma, já que ela não acontece espontaneamente. Cabe aos pais então, a tarefa de escolher qual será o segundo idioma, como e quando ele será introduzido.

Perguntas como “qual a idade certa para se introduzir uma nova língua?”, “se os pais não falam essa segunda língua, a criança pequena consegue aprender sem ficar confusa?” e muitas outras são levadas em conta na hora de decidir.

A diversidade de propostas é grande, e cada uma delas pode ter bons resultados se aplicadas na situação adequada, mas uma delas tem sido escolhida por um número cada vez maior de famílias: as escolas bilíngues. Essas escolas, quando trabalham com imersão, costumam ter excelentes resultados. Pesquisas e exemplos da vida prática se mostram positivos e favoráveis ao bilinguismo na primeira infância. Quanto mais cedo as crianças ou bebês são expostos ao segundo idioma, mais confortáveis eles ficarão nesta língua.

Famílias bilíngues muitas vezes adotam a estratégia conhecida como “one parent – one language”, abordagem na qual um dos pais fala uma língua e o outro fala a outra.
Na rotina de crianças e bebês que frequentam escolas bilíngues de imersão, essa abordagem se reproduz. A família fala português e as professoras servirão de referência do inglês ou do idioma adotado na escola.

Mesmo em países onde duas línguas são oficialmente adotadas, as crianças demonstram a capacidade linguística de construir e distinguir os dois idiomas sem problemas. A criança presencia os membros da família alternando entre os idiomas (processo chamado de “code switching”), “mistura” também os idiomas na sua produção oral, e mesmo assim consegue rapidamente compreender que são dois idiomas distintos.

Quando têm que lidar com dificuldades tais como dislexia ou discalculia, as crianças bilíngues demonstram mais facilidade de superar as limitações impostas pelos transtornos do que crianças monolíngues. O bilinguismo fortalece áreas do cérebro responsáveis pela memória de trabalho. Segundo estudo realizado nas Universidades de Granada e de York em Toronto (publicado em “The Journal of Experimental Psychology” no ano de 2013), estas áreas do cérebro atuam tanto no processo de cálculo mental como no processo de leitura e compreensão de texto. Desta forma, crianças que sofrem com os transtornos citados e que são bilíngues, têm a memória de trabalho fortalecida e, portanto, mais recursos para lidar com as dificuldades.

Exames de imagem do cérebro revelam também maior densidade de massa cinzenta nas áreas associadas à linguagem em pessoas que aprenderam uma segunda língua antes dos cinco anos de idade (Mechelli A. , et ai., Nature . Oct. 14th (2004)). As consequências disso podem ser facilmente identificadas na prática ao observarmos a flexibilidade linguística, a capacidade de compreensão de texto, a comunicação e o uso criativo da linguagem dos indivíduos bilíngues que tiveram essa vivência iniciada na primeira infância.

E, ainda, pensando a longo prazo, o aparecimento dos sintomas de demência senil em indivíduos bilíngues foi retardado em 4 anos quando comparados a adultos monolíngues. (Paradis, J., Genesee, F., & Crago, M. (2011). Dual Language Development and Disorders: A handbook on bilingualism & second language learning.)

Esses são apenas alguns dos benefícios que podem ser observados ao se estudar a trajetória de pessoas bilíngues que tiveram a introdução do segundo idioma ainda na primeira infância. Quando nascem, os bebês tem seu aparelho fonador preparado para aprender e produzir qualquer idioma. Com o passar do tempo, os fonemas da língua materna se fixam e o bebê por volta dos 9 meses de idade tem reduzida a capacidade de produzir sons que não pertencem à língua materna e aos quais não foi exposto.

Ainda, as crianças, quando aprendem um segundo idioma até os cinco anos o vínculo afetivo com o idioma é mais forte, a língua é aprendida seguindo um caminho natural (primeiro pela fala e depois a língua formal), a ela é capaz de produzir os sons de ambos idiomas de forma fluente e também ajuda na construção de cérebros mais plásticos. Mesmo sendo possível aprender um idioma em qualquer idade, existem muitas vantagens quando essa aprendizagem acontece antes dos cinco anos.

 

REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO BILÍNGUE

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Sujeito Bilíngue: uma outra maneira de ser e estar.

“O ser bilíngue é ser-se processo, processo de mudança, não é ter duas línguas, mas viver em duas línguas, em dois mundos: … é ter outras perspectivas do mundo… é viver aceitando o outro como ele é aberto para comunicar, dar e receber… comunicar-se como forma de vida”. “O bilíngue tem uma personalidade multidiagonal cuja forma de ver e sentir já não é tão estática… mas sim situacional, multiferreferencial, processual e dinâmica” (JUSTO, 2008 – filósofo e cientista educacional)

O mundo está diferente, os alunos são diferentes e nossas ferramentas de ensino também precisam ser diferentes. Com o sensível aumento das interações entre falantes de várias origens, as chamadas de “zonas de contato”, onde culturas se encontram (PRATT, 1991), entramos em uma nova forma de estar no mundo, um mundo cheio de espaços do outro, que não são lá nem aqui.

Portanto, não basta mais só ensinar/aprender uma língua nova e sim mostrar como essa língua servirá para nos colocar nessas zonas de contato e como, a partir delas, nos posicionamos como sujeitos bilíngues.
Por isso, a linguagem passa a ser definida como uma série de práticas sociais e ações por falantes envolvidos em uma rede de relações sociais e cognitivas. É um produto dessas relações sociais e das condições materiais e históricas de cada tempo. A palavra está ligada à vida em si e não pode ser separada dela sem perder sua significação. Interagir linguisticamente com o mundo significa, então, entrar em outra história de interações e práticas culturais e aprender um novo jeito de estar no mundo.

A Educação Bilíngue, a partir dessa perspectiva, passa a ter um papel de extrema relevância na educação e construção do sujeito bilíngue da atualidade. Ela deve focar não somente na aquisição de uma (ou mais) língua adicional, mas também ajudar os alunos a tornarem-se sujeitos globais e responsáveis, à medida que aprendem a funcionar em diferentes culturas, ou seja, para além das fronteiras culturais em que a escolaridade tradicional muitas vezes separa e compara os alunos com falantes monolíngues em cada idioma.

A Educação Bilíngue, ao adotar uma perspectiva multilíngue (GARCIA, 2017), potencializa a visão de que a aprendizagem de duas (ou mais) línguas deve ser integrada, oferece às línguas em foco o mesmo status, e vê seus alunos como aprendizes que usam seus conhecimentos e habilidades em ambas as línguas para aprender mais sobre suas diferenças e similaridades. Os sujeitos bilíngues não são compostos de dois monolíngues, são constituídos do uso que fazem de suas línguas em suas práticas línguísticas.

É importante que as escolas de Educação Bilíngue reflitam sobre a posição que ocupam na formação do sujeito bilíngue do século XXI, que reflitam sobre a sua própria identidade e crenças, e, a partir daí, possam considerar a qualidade e a eficácia da aprendizagem integrada das línguas que ensinam; afinal, a comunidade de fala tem mudado ao longo dos anos pelas facilidades que o mundo globalizado, ávido de comunicação, tem propiciado e não podemos fechar os olhos para isso.

REFERÊNCIAS:
PRATT, M. L. Arts of the contact zone. Profession 91.33-40. New York: MLA, 1991.

GARCIA, O. The Translanguaging Classroom. Philadelphia, Caslon, 2017.

JUSTO, A. Bilingualidade uma nova maneira de estar. Disponível em http://antonio-justo.eu/?p=1340 . Acesso em 15.06.16 às 16h.

TEXTO: Silmara Souza Parise, Assessora de Línguas, be.Living Educação Bilíngue

Os tablets e o ambiente escolar: transformação sem volta

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Os ambientes estão em constante transformação no que se refere à implantação da tecnologia, que a cada dia se aprimora, oferecendo mais e mais acesso à informação.
O papel da escola é estar aberta para a evolução do mundo em todos os aspectos, assim como também deve estar preparada para atender, da melhor forma possível, às novas gerações de nativos digitais, que são os nascidos a partir de 1980.
Essa nova geração passou por grandes mudanças de comportamento. O jovem da geração “Y” (1982 a 1994) é “multitarefa”, questionador, imediatista e prefere os meios eletrônicos para se comunicar com o mundo. Algumas de suas habilidades tecnológicas são:
– leem 250.000 e-mails;
– ficam 10.000 h ao celular;
– olham 54 canais simultâneos;
– 70% muda a linguagem de propósito;
– preferem a internet ao meio social.
A geração Z (1994 a 2012) já é mais preocupada com a socialização por meios eletrônicos e aprende muito rápido, entretanto com mais dificuldades de concentração.
Como a escola pode ficar estática frente às necessidades dessas novas gerações?
Sabe-se que o Brasil é o 4º país em população de nativos digitais (20.1 milhões de habitantes).
Esses dados sinalizam que temos de abrir portas, preparar estudantes para o futuro e mantê-los engajados.
Escolas no mundo todo têm lançado o programa do uso de iPads para os estudantes como mais um recurso para a aprendizagem, permitindo mais criatividade no aprendizado, além de muitos outros benefícios. Algumas fazem uso dessa prerrogativa para disciplinas de língua estrangeira e estudos globais, enquanto outras o fazem para currículos completos. Os diretores dessas escolas estão convencidos de que a tecnologia fará a diferença em sala de aula.
O currículo é similar ao apresentado em materiais impressos, nas conceituadas editoras educacionais, sendo, apenas, estruturado de maneira diferente, e é autorizado pelos órgãos responsáveis pela educação no país.
Outros pontos positivos são apontados por Adriana Beatriz Gandin, pedagoga, especialista em Gestão de Pessoas em TE e autora do projeto “Ipad na sala de aula”. Segundo ela, o uso de tablets facilita:
– a busca de informações e realização de pesquisas. Não somente na internet mas também em jornais e revistas;
– o compartilhamento de informações entre alunos e professores;
– a mobilidade: com o iPad é fácil estar em grupos ou sentado em “roda” no chão ou em espaços abertos, fora da sala de aula. Não é necessário deslocar-se para o Laboratório de Informática;
– a realização de registros: anotações, gravações de voz, filmagens etc.;
– a diminuição do peso das mochilas com o uso de livros e textos digitais;
– a possibilidade de customização das aulas, que podem ser construídas e organizadas de acordo com a realidade de cada série e turma, o que dificilmente acontece quando ficamos presos a apostilas e livros didáticos;
– a segurança: o controle de acesso aos aplicativos e a sites pré-selecionados é mais viável do que em um computador;
– o desenvolvimento de trabalho com projetos transdisciplinares;
– o salvamento automático, evitando perda de conteúdo;
– a utilização para jogos pedagógicos e atividades lúdicas;
– o contato visual possibilitado entre alunos e professor, diferentemente de desktops e notebooks.
A economia de tempo também é outro fator considerado pelos especialistas em educação, pois uma pesquisa que poderia demorar a ser feita, agora, é realizada em segundos, promovendo aulas mais produtivas e prazerosas.
Uma vez comprovado que o aprendizado com o uso da tecnologia tem tantos benefícios, o grande desafio a ser considerado é decidir como o professor irá usá-la em prol dos alunos.
Em certas escolas norte-americanas, o Ipad já faz parte da lista do material individual do aluno.
Uma recente pesquisa da Pearson Foundation Survey mostra que o número de alunos que possuem seu próprio tablet triplicou, e que isso é de extremo valor para a proposta educacional, bem como para o entretenimento pessoal.
Não há dúvidas de que a tecnologia está mudando a forma de educar e que, muito em breve, as salas de aula estarão transformadas. As novas possibilidades de recursos educacionais que tal transformação acarretará excedem a tudo o que foi visto antes em matéria de educação.
Temos de reconhecer que a tecnologia permeia a vida dos estudantes no âmbito pessoal e , sendo assim, os alunos podem sentir-se desmotivados, achando que ir para uma escola sem esses recursos é dar um passo atrás no que se refere a ter menos ferramentas tecnológicas do que as que têm em sua própria casa.
Os resultados de escolas que adotam tais ferramentas têm sido surpreendentes, e esse fato deve influenciar nas decisões que visam à melhoria na educação.
Com um ambiente digital, surge um novo contexto educacional e isso exige uma nova postura do professor. O professor que não se utiliza dessas tão poderosas ferramentas faz com que essa implementação seja desperdiçada, pois o suporte de um professor bom, capacitado e com desejo de fazer o seu melhor é fundamental. É preciso que haja treinamento para essa nova realidade; ao contrário, o esforço em adotar tal inovação terá sido inútil. O currículo digital dá suporte aos professores e é poderoso e simples para o treinamento dos alunos.
Adotar ferramentas tecnológicas com o objetivo de substituir os livros, lápis e papel é um caminho excitante e cheio de promessas, todavia devem-se ter precauções para que a mudança de paradigmas educacionais se dê de forma tranquila e segura. A questão está em saber dosar esse uso.
A presença da tecnologia em nossa vida implica um movimento que não tem volta. E todo início de mudança é desafiador, mas essa, especificamente, é vital para a nova era da educação.
“A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível.” (Lewis Carrol)

Professora Dra. Mônica Morejón
Mantenedora e Diretora Administrativa Colégio Bis